Under the bare tree I, Itapoã, Salvador, 1976
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collective fashion consciousness.O que me aterroriza na Ásia é a imagem da Europa futura (como esquecer que a esse respeito, a Europa ocupa uma posição intermediária entre os dois mundos?), que ela antecipa. Com a América Indígena, acalento o reflexo, que mesmo aí é fugitivo, duma era em que a espécie estava na medida do seu universo e em que persistia uma relação válida entre o exercício da liberdade e os seus sinais.
O conjunto dos costumes de um povo é sempre marcado por um estilo: eles formam sistemas. Estou persuadido de que esses sistemas não existem em número ilimitado, e que as sociedades humanas, como os indivíduos -nos seus jogos, seus sonhos e seus delírios- jamais criam de maneira absoluta, mas se limitam a escolher certas combinações num repertório ideal que sera possível reconstituir.
Invenção e saque. Originalidade na combinação dos elementos. Os indigenas se apropriando dos temas dos conquistadores. A realidade se torna linguagem no sinal? ou no sinal= ?
Waly Salomão.
Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
Coisas fortes
patas de cavalos, tetas de vacas, borracha, alcatre, algumas pessoas, troncos e galhos, leite, álcool, esperma, epilepsia, o cúmulo da noite e o meio-dia, portas trancadas, outdoores, fósforos, crucifixos
arnaldo antunes.
cabelos, peixes, lábio e língua, janelas, algumas pessoas, papel yes, bijouterias, penas de pombas, ruído, telefones, ventiladores e leques, fim de tarde e aurora, cílios, filhos, cigarros, cáries
arnaldo antunes.
…Hoje sento no sofá como um um confronto entre dois gigantes. O carro arfa quando entro e afunda o chassis quase até tocar a borracha das rodas. Minha cabeça, pequena diante do volume do resto do corpo, parece uma espectadora do que acontece comigo, de alguma forma poupada. Assim, mais do que tocar o mundo, sou tocado por ele, e engordar me fez sentir seguro neste contato. Sonho, às vezes, com incrustrações- não tatuagens, nem piercings, mas coisas maiores. Por exemplo, gostaria de costurar meu anel de casamento no dedo. Cheguei a comentar isso com minha mulher, que reagiu horrorizada. Depois, comecei a pensar em coisas piores - numa mesa de operação, cerzir a cadeira Às minhas nádegas. Será que minha pele seria elástica o suficiente para arrastá-la comigo? E se grampeasse minunciosamente a sola dos meus pés ao sapato que uso agora? E se colasse, com cola estrutural, dessas que não soltam nunca mais, uma telha aos meus cabelos, um tijolo à pele do meu ombro?
.nuno ramos.
Eu poderia dizer, olhando para dentro da câmera, para dentro da sua casa: Conheci uma pessoa feliz. Lembro bem, é uma pessoa cheia de nãos. Ela não tem história. De tudo que viveu, diz apenas que passou. As escolhas que fez modificaram sua vida, mas ela não imagina nem por um segundo o que poderia ter sido se.
E se tivesse tomado outro caminho? Não tomou. E este pensamento lhe basta.
.Cecilia Gianetti.